29 DE JULHO DE 2011
Orange County, Califórnia do Sul – Atlanta, Geórgia (EUA)
Típico da família, durante a última semana de julho, todos geralmente arrumavam suas malas para passarem o restante das férias de verão na fazenda Valentini. Quer dizer, ao menos os adolescentes e as crianças, já que os trabalhos de Alex e Moon não permitiam uma pausa longa assim. O escritório do homem raramente dava uma folga, sem falar que a coreana não conseguiria ficar tanto tempo fora do emprego. Ao menos, conseguiam um fim de semana, que sempre usavam para levar todos para Atlanta.
Quando moravam na Carolina do Sul, logo ao lado da Geórgia, costumavam fazer uma viagem de carro, divididos em dois veículos de maneira estratégica, por conta dos bebês. Agora, morando do outro lado do país, precisavam fazer o uso do avião, e podemos dizer que não é a coisa mais fácil do mundo conseguir onze passagens. Era a primeira vez que iriam para lá depois que se mudaram para a Califórnia, a primeira vez de cinco para seis anos. Sem Sophie.
Naya estava um pouco preocupada com o valor que os pais haviam gastado apenas naquela ida. Tudo bem, seu pai vinha de uma família bem afortunada, seus avós iriam pagar pelas despesas deles no resto do verão e passagens de volta para Los Angeles, da mesma maneira que sua mãe acabara de conseguir certo sucesso com sua empresa. Mas algumas vezes, a garota se perguntava como seus pais aguentavam – nove filhos, certeza que não eram fáceis de se manter.
Bem, agora teriam um a menos, já que Liam estaria se mudando para o campus da faculdade na capital logo que retornassem. Alex e Moon ajudariam financeiramente até ele conseguir se ajeitar e arranjar um emprego. Isso tinha sido imposto pelo próprio irmão. Ele era o que estava mais animado com aquela viagem, porque seria sua última vez durante certo tempo com sua família perto todos os dias. Estava ansioso para mostrar para Nonna as fotos da universidade, e tagarelava sem parar ao lado de Ethan dentro do avião, que sentara do seu lado. Obviamente o mais novo se arrependeu.
Os planos de Ethan eram completamente diferentes do irmão mais velho, que sempre sonhou com uma graduação e por fim, uma vaga nos times profissionais da NFL. Logo que esse papo todo de conhecer faculdades e bolsa de estudos começara na casa da família, como faltava apenas um ano para decidir sobre seu futuro, tinha adiantado que ter um diploma não estava em seus planos. Naya não ficou chocada, porque já sabia disso, estudava no mesmo lugar que ele. Ethan nunca mostrou interesse em estudos, apenas o suficiente para passar de ano sem notas vermelhas e sair de vez daquele lugar. Ele ainda incentivava muito os outros irmãos e até mesmo ajudava com as lições de casa dos mais novos, mas segundo ele: “ficar concentrado em uma mesa com um livro aberto não é para mim”.
Não demorou para que chegassem ao aeroporto de Atlanta, devido ao voo em que estavam, que não incluía escalas. Chegaram no fim da tarde e conseguiram alugar dois carros para irem até a fazenda. Alex pegou a estrada na frente, acompanhado no veículo por sua esposa, os gêmeos e Joey. Logo atrás, Liam dirigia o SUV com Ethan, as gêmeas, Autie e Devyn.
Esse último motorista parecia um pouco nostálgico ao ouvir seus irmãos cantando Party Rock Anthem como se não houvesse amanhã. Seu coração apertava, pois sabia que sentiria falta daquilo. Sem exceções, cuidara de todos eles. Quando seus pais não estavam em casa, era ele quem ficava no comando e tentava o seu melhor para ficar de olho em todos. Bem, Ethan também, por ser um ano mais novo, mas ele era alguém mais liberal e Liam costumava ser o rígido. De qualquer maneira, sentiria saudade. De brigar com Ethan quando ele deixava os mais novos comerem os doces antes de jantarem, quando Naya e Lexi começaram a namorar e ele teve o seu primeiro ataque de ciúmes relacionado às meninas, de ser maquiado e ter suas unhas feitas por Autie e ser vestido como uma princesa por Dev. Todos eram muito ligados, inclusive os mais novos, que estavam no outro carro.
Perdido em seus pensamentos, só então reparou que seus passageiros acabaram dormindo, então aproveitou para abaixar o rádio, que tocava uma Katy Perry alegre e motivadora, e em seguida, não conteve um sorriso. Também sentiria falta da sensação de paz e silêncio quando estavam calmos.
– É por isso que vai para a faculdade?
Liam ficou surpreso ao ouvir a voz baixa, que era de Naya, sentada logo atrás do banco do motorista, soltando um “o quê?” ao voltar as duas mãos para o volante.
– Vai soar estúpido, mas… Você acredita que vai conseguir esse tipo de sentimento lá? Jogando, quero dizer.
– Que sentimento? – Liam ficou confuso com a pergunta e olhou rapidamente para a menina pelo retrovisor central.
– Da Katy Perry. Acredita que vai ser como se fogos de artifício estivem explodindo?
Ah, então era da música que ela estava falando, não pegara a referência de primeira, até mesmo porque não estava prestando atenção no rádio. Era realmente algo para se refletir.
– Você quer minha resposta honesta?
– Sim.
– Eu não sei, Nay. É o que eu gosto de fazer, sabe? – Ele acompanhou a curva que o pai fez para a esquerda, entrando na estrada de terra. – Mas eu sei que os fogos de artifício não vão acontecer quando eu conseguir um contrato, porque não podemos ter certeza de nada. Acredito que vou me realizar quando estiver no caminho, me superando. É mais uma realização pessoal, entende?
– É por isso também que quis sair de casa? – Devyn havia acordado e se ajeitava em seu banco, na última fila do SUV.
– Pode-se dizer que sim. – Chegou a cogitar a ideia de Dev ficar chateada com sua resposta, mas ela logo se distraiu com Pitbull e Ne-Yo cantando e inclusive reparou que Naya agora estava quieta. – Por que a pergunta, Nay?
– Só estava pensando…
– Em quê?
– No que eu quero fazer com a minha vida. – Ela arrumou o cabelo para trás da orelha antes de colocar as mãos juntas no próprio colo e brincar com o anel em seu dedo. – Não quero deixar o que posso fazer hoje para amanhã.
– É por isso que anda tão reflexiva ultimamente? – Deu mais uma olhada através do espelho. Sabia que o comportamento da irmã estava diferente desde alguns dias atrás. Naya era sempre do tipo que conversava bastante, que saía com os amigos durante as férias, mas agora, via ela lendo informações sobre artistas nas revistas e reparou que ela havia voltado a tocar violão. – E o que quer fazer com sua vida?
Devyn não durara muito tempo, sua cabeça já estava encostada na janela do carro e seus olhos estavam fechados.
– Eu quero significar alguma coisa. – Talvez Naya pudesse colocar dessa maneira. – Quero inspirar pessoas a serem quem são, a amar ao outro. Ajudar quantas pessoas eu puder.
O silêncio pairava no ar, exceto pela Katy cantando.
– Você acha que isso é possível, Liam?
Honestamente, ele riu. Naya prendeu a respiração, sua cabeça fervendo de imediato com todas as respostas que ele poderia dar.
– Naya, quem disse que é impossível?